Existe aquela pessoa que mais me irrita no mundo. Devido aos anos de convivência turbulenta, àqueles gritos e desabafos que ficaram atravessados na garganta vibrando nas cordas vocais mas sem emitir som algum, às inúmeras verdades que foram ocultas para manter a sensação aparente de que está tudo bem. Talvez como forma de defesa comecei a tratar esta pessoa com rispidez. Pior, descaso. Qualquer palavra dirigida a mim é rebatida com um olhar atravessado, ou uma resposta monossilábica.
No último destes episódios a tensão foi mais palpável. Palavras foram ditas, palavras duras que não deveriam ser proferidas nem ouvidas. Mas foi de minha boca que saiu a palavra mais supreendente:
Desculpa.
E assim que ela ganhou voz e levantou vôo, o lugar que ela ocupava em meu interior tornou-se vazio, e foi possível perceber seu peso, ou agora ausência de, de maneira claríssima.
sábado, 17 de maio de 2008
Desculpa
Postado por Aleatório às 20:52
Marcadores: divagações
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2 comentários:
já te disse, né??? vc é um pacifista... he...
e eu sou totalmente o oposto! não que eu queira criar o caos, mas não consigo prender palavras dentro de mim... com o tempo, ainda tenho aprendido a guardá-las por vezes, ou então amenizá-las... mas é difícil fazer com que fiquem aqui dentro, mesmo quando são difíceis de dizê-las.
em todo caso, com certeza a mais difícil de proferir é sempre "desculpa"... eu só imagino o peso que tirou daí, ou esse vazio que te deixou. mas eu imagino!
bjos
tô pedindo post novo... posso pedir??? então... tô pedindo...
post novo, por favor!!!
muito obrigada
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