terça-feira, 17 de março de 2009

Um outro tipo de filme - O Operário


Don't worry. No one ever died of insomnia.
Christian Bale tem lá seus problemas, mas isto não tira seu mérito como excelente ator, talento este que foi escancarado ao grande público devido à sua participação no bombástico renascimento da franquia Batman idealizado pelo diretor Christopher Nolan. Apresento aqui então esta que é considerada sua performance mais impactante e sacrificante, O Operário (The Machinist no título original), de 2004.

Sabe aquela frase "ele é só pele e osso"? Pois é, aqui temos um exemplo vivo perfeito desta definição. É perturbadora a magreza do ator, que perdeu quase 30 quilos (!) para viver este papel (fato ainda mais impressionante quando comparado com sua aparência em Batman, filmado não muito tempo depois). Somada à aparência esquelética, a performance do ator confere credibilidade ao papel de Trevor Reznik, operário que não dorme há aproximadamente um ano quando começa a experimentar acontecimentos bizarros.

Este é um filme de alto teor psicológico, que mesmo não sendo de difícil entendimento (tudo fica bastante claro até o final), transborda simbolismo em cada cena, exibindo pistas e metáforas sobre tudo que está acontecendo na vida de Trevor. Recomendo fortemente assistir ao filme mais de uma vez, apenas para apreciar o quanto fica aparente quando temos conhecimento da trama. A trilha sonora sombria completa o pacote, prestando uma óbvia homenagem aos filmes de Alfred Hitchcock com sua instrumentação.

Não deixe de conferir este filmaço!

Conta-gotas

Suas mãos entrelaçaram-se com as dela, as pontas dos dedos ruborizando-se com o acúmulo de sangue causado pelo aperto. Como se força qualquer no mundo pudesse desfazer aquele enlace. Olhos que evitavam desviar-se uns dos outros, queimando nas retinas imagens que permaneceriam gravadas na mente e fariam-lhes companhia nos dias de distância vindouros. O encontro fugaz dos lábios encerrou por fim a despedida. O enlace das mãos por fim desfeito.

 

O amor não foi feito para ser sorvido através de um conta-gotas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Escolha a ferramenta correta! - Pizza

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sabotagem

Meus sonhos me sabotam. Não, não sonhos no sentido de "persiga seus sonhos", mas aqueles inconscientes mesmo, que aparecem ao dormir. Eles confundem minha cabeça com idéias e "esperanças" de coisas que eu sei que não têm a menor chance de acontecer... E o pior é que agora essas idéias ficam penduradas na minha cabeça por pelo menos alguns dias, remoendo e perturbando meu sono.

Obrigado, malditos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Uma máquina de novos clássicos

Uma nova tecnologia geralmente é desenvolvida com um propósito sério, e utilizando conceitos inovadores. Melhor ainda quando essa tecnologia pode ser utilizada para produzir resultados hilários. Imagina então se fosse desenvolvida pela Microsoft. Achou!

Conheça o Songsmith. Baseado no trabalho desenvolvido por pesquisadores da Microsoft, este programa realiza um feito considerável, do ponto de vista tecnológico: com apenas a linha vocal de uma música, o programa gera todo um acompanhamento musical utilizando o estilo que ele julgar mais adequado. O som tem toda a cara de sintetizado (pense em tecladinhos MIDI) mas ainda assim é impressionante ver o quanto o programa consegue "deduzir" baseado apenas na cantoria.

Mas é lógico que desocupados em geral tiveram uma grande idéia: alimentar o programa com linhas vocais de músicas conhecidas. Os resultados são IMPAGÁVEIS, como pode ser visto nos links ao final deste artigo. Roxanne e Eye of the Tiger são de fazer qualquer um que conhece as músicas originais chorar de rir (muito mais pode ser encontrado no Youtube, basta procurar por Songsmith).

Uma versão trial do programa pode ser baixada através deste link, e permite até 6 horas (não contínuas, pode ser 1 hora hoje, 2 amanhã...) de experimentos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os dois lados do suporte via telefone – cenário 2

Eu ia escrever um contraponto ao texto anterior, mas esse vídeo, se for verdade, é muito mais engraçado (ou deprimente) do que qualquer coisa que eu poderia escrever. Julgue você mesmo :)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os dois lados do suporte via telefone – cenário 1

"Favor digitar os 10 dígitos de sua linha de telefone, com DDD"

Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu

"Straaaaaaangers in the niiiiiiiiiiight..."

- Boa tarde, com quem falo?

- Josué

- Senhor Josué, informo que para sua segurança esta ligação será gravada. Por favor informe o número de sua linha telefônica com DDD

- Mas acabei de digitar...

- Isto é apenas procedimento standardí, por favor me informe o número para que eu possa estar dando entrada no sistema

- Ok, é (11) 1234 2469

- (risadas ao fundo) Obrigado senhor, aguarde só mais um momento enquanto entro no sistema, ele se encontra um pouco lento hoje.

- Sem problemas…

- (éeeessa poçãaaaao faz cair piiiinto! é pra caaaaair o pinto do báaaateman HA HA HA)

- Mas que p…

- Obrigado por aguardar senhor. No que posso ajudar?

- Minha internet não funciona desde ontem pela manhã…

- Ok, vou verificar na central se há alguma indisponibilidade do serviço no momento, aguarde um momento

- Certo…

- (mas Báaateman de onde foi que você tirou esse escudo? É óbvio que foi do cú Robin, HAHAHAHAHA)

- Cacete…

- Peço desculpas novamente senhor, o sistema está realmente muito lento, aguarde mais um momento.

- Eu ouço algumas vozes do seu lado da linha e risadas de um grupo de pessoas…

- Ah isso é normal, deve ser alguma linha cruzada, não se preocupe (esse Róoobin é viadiiiiinho HAHA COF COF)

- Sei…

- Senhor, obrigado por aguardar, verifiquei no sistema e aparentemente não há nenhuma lentidão do serviço em sua região. Vou precisar que o senhor acesse o seguinte endereço no seu computador e siga os passos listados para o caso de navegação lenta

- Filho, eu estou sem internet, não vou conseguir acessar o endereço, e a navegação não está lenta

- (Sua mãe e sua mulher são duas putas pagas comissário, HAHAHAHAHAHAHAHA) Então a velocidade de navegação está normal, correto?

- Não, porra, a velocidade é nula, não consigo conectar

- Ah sim, compreendo o problema, vou verificar eventual indisponibilidade no serviço

- Puta que p…

- (HAHAHAH ESSE VÍDEO É FODA)

- Vocês estão vendo merda na internet né?

- Claro que não senhor, estou verificando a situação de sua linha

- Foda-se, quero cancelar o contrato

- Ok senhor, aguarde um momento enquanto verifico no sistema…

- AH, VAI TOMAR NO CÚ!

 

Referência:

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Roadkill

Se um dia eu estiver dirigindo por aí e encontrar a Sônia Abrão e a Márcia Goldschmidt andando em uma calçada, com certeza irei ligar o modo GTA e transformar as duas em asfalto.

 

Já estou inclusive guardando dinheiro pra comprar um Opalão preto.

 

sonia

E tira esse dedo da minha cara, baranga!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ah, infância

Por algum motivo, tenho um problema com memórias de infância. Conheço pessoas bem mais velhas do que eu e que possuem lembranças vívidas de quando eram crianças, porém no meu caso é tudo meio nebuloso, com exceção de várias ocasiões isoladas. Hoje tive oportunidade de relembrar uma delas.

Não é fácil superar sua primeira "decepção amorosa". Acho que foi lá por volta dos meus 10 anos de idade, na 4a ou 5a série da escola. O nome dela era (ainda é, claro) Fernanda e sentava-se na carteira em frente à minha, proximidade esta que foi o início do nosso contato, como é de praxe. Com conversas bestas durante as aulas pegamos amizade, e com um certo tempo nos tornamos inseparáveis, mas sempre dentro da escola. Fora dela não tínhamos muito contato.

Quando um dia ela apareceu com o braço quebrado, eu copiava a matéria com capricho redobrado (ou deveria dizer com qualquer capricho, visto que este não era meu forte) para que depois ela pudesse estudar pelas minhas anotações, e ela passava o tempo todo da aula virada para trás, olhando para minha cara ou colorindo com sua outra mão um livro que estávamos utilizando em aula na época, com cores berrantes e em nada condizentes com as ilustrações (ainda tenho este livro guardado, com um astronauta amarelo e uma lua rosa).

Apesar de eu gostar imensamente de estar perto dela, em minha pobre cabeça infantil jamais passou a idéia de estar gostando de uma garota. Qual não foi a surpresa que causou então o sentimento em relação à presença do outro, que neste caso era um dos meus melhores amigos, chamado Yves. Surgiu do nada com um comentário de que o achava "bonitinho", mais um outro sobre "gostar", e por fim um pedido para que eu conversasse com ele. Aquele sentimento de inveja chegou a tornar-se insuportável, e eu não sabia sequer dizer exatamente o motivo. Fiz cara de emburrado e disse que não. Ela pediu novamente. Mantive minha posição irredutível. Ela fez cara de dó. Fui eu então ter a tal conversa com o Yves. Sem saber direito como falar nessa situação, cheguei e joquei a bomba direto no colo dele: "A Fernanda me falou que gosta de você...".

E ele: "Sério? Mas... ela é feia..."

Neste momento fui inundado novamente por um sentimento novo, um profundo desgosto por uma pessoa estar desprezando tão levianamente algo que eu queria. Sem mais uma palavra, voltei para o meu canto, pensando durante o resto do intervalo no que eu diria para Fernanda.

E eu: "Seguinte, não vou perguntar nada, se você quer saber vai lá e fala com ele"

Daí em diante, inevitavelmente ficamos mais distantes. Eventualmente ela foi para outra escola, e nunca mais tive notícias dela. Mas o engraçado é que seu nome completo ficou marcado na minha memória. Fast-forward para o dia de hoje, estava eu passeando no Orkut quando encontrei uma comunidade da classe que formou-se comigo no 3o colegial. Entre os inúmeros rostos conhecidos encontrei vários que não o eram (existem duas unidades desta escola na cidade, e apenas uma comunidade), mas um em específico que tinha um quê de familiar nos olhos. Quando vi o sobrenome, não tive dúvidas: lá estava ela, e completamente irreconhecível, não fossem meus olhos treinados.

Não vou entrar em contato ou nada assim. Além de meu perfil no Orkut ser fake (o meu oficial foi apagado há muito tempo atrás por desinteresse e alguns desentendimentos, mas mantive outro para acessar os fóruns de comunidades interessantes e ver as datas de aniversários de amigos que eu esqueço ^_^), decerto ela não se lembrará de tudo isso. Mas é interessante ver como uma marca pode permanecer tão fixa em meio a lembranças nebulosas.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Claridade

Seu franzino corpo espremeu-se através da apertada fenda, expelido por uma força ritmada e incansável. Do lado de fora, a luz cegante queimava seus olhos mesmo através das pálpebras. Tentou gritar qualquer coisa para que alguém notasse sua confusão, mas faltou-lhe fôlego. Foi então que percebeu que não conseguia respirar mais do lado de fora da fenda.

Em meio à intensa claridade, distinguia vagas formas brancas ao seu redor, cercando-o. A impossibilidade de respirar já tornava-se insuportável. Um dos seres brancos cortou um tubo ligado ao seu corpo, e inseriu um outro menor, mas não no mesmo lugar. Retirado este tubo, sentiu o ar preenchendo o seus pulmões novamente, e pode então dar vazão ao seu desespero, gritando de qualquer modo possível. Os seres de branco pareceram inabalados.

Por fim, um deles o agarrou, envolvendo-o em alguma forma de tecido, que restringia seus movimentos. Levou o lentamente até outro ser, que o envolveu em um abraço. Neste momento todo o desespero se esvaiu, pois sentiu uma familiaridade inegável e sabia exatamente nos braços de quem ele repousava: mãe.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Um outro tipo de filme - Revolver


The greatest con, that he ever pulled... was making you believe... that he is you.


Existem poucas coisas melhores do que começar a assistir um filme esperando uma coisa e ser absolutamente surpreendido. Mais do que isso, é louvável a atitude de tratar o espectador como um ser inteligente, e também corajosa visto que nem sempre o público corresponde a esta expectativa, causando fracassos comerciais como é o caso de Revolver, produção de Guy Richie, ex-marido da Madonna.

Assim que o filme começa, você tem a impressão de estar assistindo um clichê de ação dos brabos: um criminoso que acaba de sair da prisão sedento de vingança (Jason Statham, aqui estreando um visual ainda não visto em seu filmes, com cabelo e barba), e um vilão dono de um cassino e alvo desta vingança, interpretado pelo Ray Liotta. Ou seja, o povo de sempre fazendo os papéis de sempre. Mas a partir daí, nada mais é como você esperaria que fosse.

Pensei em escrever uma descrição detalhada do filme, mas isto é um exercício em futilidade, pois ele pode ter um significado diferente para cada um, além de tirar toda a graça da trama. Irei apenas dizer que é necessário manter a cabeça aberta para obter todo o proveito desta excelente produção. Se você for como eu, tenho certeza que irá ter bastante material para mastigar com sua mente por um bom tempo.

Uma ressalva: existem duas versões do filme, a britânica/global que é a original lançada em 2005, e uma americana que simplifica e, na minha opinião, empobrece a história. Não sei dizer dizer se este DVD foi lançado aqui no Brasil, ou qual a versão... Em todo caso, recomendo fortemente a versão original para a experiência completa!