Seu franzino corpo espremeu-se através da apertada fenda, expelido por uma força ritmada e incansável. Do lado de fora, a luz cegante queimava seus olhos mesmo através das pálpebras. Tentou gritar qualquer coisa para que alguém notasse sua confusão, mas faltou-lhe fôlego. Foi então que percebeu que não conseguia respirar mais do lado de fora da fenda.
Em meio à intensa claridade, distinguia vagas formas brancas ao seu redor, cercando-o. A impossibilidade de respirar já tornava-se insuportável. Um dos seres brancos cortou um tubo ligado ao seu corpo, e inseriu um outro menor, mas não no mesmo lugar. Retirado este tubo, sentiu o ar preenchendo o seus pulmões novamente, e pode então dar vazão ao seu desespero, gritando de qualquer modo possível. Os seres de branco pareceram inabalados.
Por fim, um deles o agarrou, envolvendo-o em alguma forma de tecido, que restringia seus movimentos. Levou o lentamente até outro ser, que o envolveu em um abraço. Neste momento todo o desespero se esvaiu, pois sentiu uma familiaridade inegável e sabia exatamente nos braços de quem ele repousava: mãe.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Claridade
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