Se você não é uma pessoa que aprecia Heavy Metal, é provável que não tenha ouvido falar de uma banda chamada Angra. Brasileiríssima, apesar da grande maioria de suas letras ser em inglês, a banda reúne músicos excepcionais que sempre mesclam o melhor da música pesada com influências brasileiras e outros sons mais inusitados. A maioria das músicas sempre foi composta pelo vocalista André Matos, famoso e/ou ridicularizado por seus agudos e falsetes, e o guitarrista Rafael Bittencourt. E é do álbum solo deste segundo, lançado em um momento em que o futuro do Angra encontra-se incerto devido a problemas empresariais e desentendimentos entre integrantes, que eu vou falar um pouco hoje.
De cara já aviso que quem espera um CD de Heavy Metal tradicional nos moldes do som do Angra irá se desapontar e muito com Brainworms I. Sem medo de inovar, Rafael pega os elementos diferenciados que já eram visíveis em suas composições na banda e, com a liberdade conferida por um álbum solo, os utiliza sem parcimônia, gerando um disco musicalmente diverso e de fácil audição. Além de tudo, é apresentada uma nova faceta desconhecida de seu talento: os vocais. Antes relegada aos backing-vocals, sua voz é excelente, e transita entre o suave e o agressivo com facilidade.
Não vou falar sobre todas as músicas do disco, mas para ilustrar a diversidade das músicas, cito alguns destaques do CD. A música de abertura Dedicate My Soul é pesada e com ritmos no melhor estilo Angra, o que pode levar o ouvinte a assumir que o restante do CD será assim. Esta impressão, porém, é rapidamente desfeita com as canções seguintes, em especial The Dark Side Of Love, uma balada bastante sentimental, e Nightfly, música extremamente variada e com diversas passagens interessantes. Em Santa Teresa, o guitarrista explora a viola caipira, criando uma atmosfera bastante relaxante. A próxima música é O Pastor, cover da banda portuguesa Madredeus, que mistura cantos gregorianos (!) com um trabalho de guitarras pesado e soturno, e os vocais mais agressivos do álbum. Temos por fim duas canções instrumentais, com destaque para Primeiro Amor, tocada somente no violão de nylon.
Recomendo muito este CD para quem está sempre buscando novas sonoridades, e posso dizer que o disco entrega isto de sobra. Vale dizer também que o algarismo romano I no título do álbum sugere que esta é apenas a primeira parte. Portanto, que venham as próximas!
PS: além do encarte, o CD vem com um livreto muito legal com a tradução oficial das letras para o português, além dos conceitos e idéias por trás de cada uma delas.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
CDs para conhecer 3 - Rafael Bittencourt / Brainworms I
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1 comentários:
Não que eu goste do som, mas a análise ficou muito boa =]
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